Talvez eu peque por ser tão silenciosa quando as pessoas esperam uma palavra minha. Mas não sei ser de outro jeito, nem quero e creio que devamos compreender não só as qualidades mas os defeitos do outro também. Mas será que esse meu silencio é errado ou será que eu devo fazer sempre aquilo que de mim é esperado? Se é esperado, é esperado pelo outro e não por mim que sou assim tão silenciosa. É que tenho em mim o dever de ser calada pois, não quero ter em mim o que condeno nos outros, as palavras ditas por assim dizer e não por querer dize-las.Não esperem de mim palavras, talvez um olhar, um gesto, ou um profundo silencio de compreensão , aceitação. Mas palavras... palavras não, isso é muito para mim.Não me cobre palavras, não me cobre respostas eu não as darei se assim não o quiser, entenda.
Desculpe-me pelo meu silencio, mas se você abrir bem o seus ouvidos poderá ouvir a voz do vento e é lá sempre estarão as minhas respostas às tuas questões, os meus sonhos, as minhas verdades e tudo o que for meu e não teu. E nunca creia na minha tristeza, sou humana e com isso carrego todas as dores e alegrias do mundo, não me limite a um único sentimento.
Confundem o meu silencio com tristeza, nem ligo mais para tal julgamento porque sei que conhecer a fundo uma pessoa como eu que não quer ser conhecida, é difícil, eu sei. E perceber que esse silencio todo é a saudade de um não sei que, é a vontade de contemplar a imobilidade das coisas que fluem na vida e no vento.Não quero ser conhecida, quero ser sentida, vivida, silenciada na alegria que só um longo silencio pode oferecer. Quero estar no deserto, apreciando o silencio e dividindo-o talvez com pessoas que eu amo que são tão poucas e tão amadas ou talvez... talvez apenas comigo mesma, talvez...