 | Alho.... | Aug 26, '11 10:13 AM for everyone |
Charlie adorava alho;tinha dito a Tom que,se ele a amava,teria de gostar também do cheiro de seus dedos depois de um dia inteiro na cozinha,o aroma profundamente entranhado na pele como vinho em toalha de mesa. Ela dispensava qualquer utensílio culinário,apertava os dentes polpudos e firmes do alho com o polegar,removendo a casca externa,fina e seca, e enfiando a unha na base do alho para arrancar a ponta endurecida. Se pudesse também o picaria com os dedos , afundando naquele cheiro. Quando terminava, passava as pontas dos dedos entre os seios, na nunca e atrás das orelhas. - Rastros para você seguir – dizia a Tom com uma piscadela. Certa noite em um restaurante, a mulher de um dos clientes do escritório de advocacia de Tom fez um comentário desanimado sobre a quantidade de alho em sua bruschetta. - Andy não vai querer dormir comigo hoje. – disse ela com um risinho encabulado. – Amor, você trouxe alguma balinha? Enquanto o casal vasculhava bolsos e bolsas, os olhares de Charlie e Tom se cruzaram por cima da mesa. Vagarosamente ela passou o indicador no azeite grosso e perfumado que embebia as rodelas de pão tostado em seu prato. Então sua mão desapareceu debaixo da mesa. retirado do livro Escola de sabores de Erica Bauermeister  Essa semana me perguntaram o que é ser filha de Khepera pois quase ninguém fala Dele.Essa pergunta me fez pensar em mim como um ser que tem o Sol dentro de si,até então não tinha me olhado assim! Ser filha Dele é olhar o amanhecer,aquele exato momento que a primeira gota de claridade corta o céu e terá certeza que a luz sempre vence a escuridão.É ter certeza que certas coisas no universo são infalíveis e que temos que desfrutar tudo de bom que está à nossa volta.É renascer todos os dias sabendo-se uma pessoa muito,muito amada. Eu me vejo naquele exato momento que ele, o Sol começa a dissipar a escuridão...o inicio do amanhecer,eu renasço naquele segundo,todos os dias. Sento ao Sol e recebo os beijos de meu Pai. Sinto o quanto Ele me ama e quanto seu poder está em mim,mesmo que ainda não saiba usa-lo. Sei que eu sou um Sol de alegria,sei que aqui dentro do peito a esperança se renova e isso tudo fez a minha vida ter um novo significado e eu tenho um novo olhar sobre mim,sobre minhas potencialidades e sobre a magia que reside dentro do peito. O Sol brilha no meu sorriso e aquece. O nosso ano Kemetico está chegando ao fim.Foi o ano de Zep Tepi que nada mais é que o início de tudo,o momento que o Sol nasce,o momento que o universo é criado...o momento que nós damos a primeira respiração. Foi o ano que eu abraceia fé Kemetica e meu Pai e os bem amados se mostraram claramente a mim.O ano que me descobri pessoa mágicka,pessoa amante,pessoa decidida.Foi o ano que eu descobri o mundo oculto e encarei também o culto em mim. Eu sou feita de 4 porções divinas : o sol da manhã (Khepera), o segredo do silêncio (Amun),a magia (Aset) e uma força vermelha (Sekhmet). Eu sou vida que corre no sangue, eu sou luz,eu sou alegria,eu sou poder,eu sou regeneração.Eu sou o silêncio e o grito de guerra. E isso não me dá mais medo. E quando o dia amanhece e você olha para o Sol, por um segundo você também vai me ver lá com braços estendidos, saudando meu Pai. Nekhtet! Dua Khepera! Iony, filha de Khepera.Bem amada de Sekhmet-Hethert,Aset-Serqet e Amun! Nekhtet!! Qdo eu tiver condições eu conto tudo.Só adianto que agora eu tenho um culto formal egipcio!Mas saibam que orgulhosamente e oficialmente eu sou irmã de Tanakhtsenu, a Samanta tb filha de Khepera!
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial. Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavra. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar. Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro, quem aceita para poder questionar. Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar, não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é. E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso. Isso é afinidade. Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona. Questionamento de afins, eis a (in)fluência. Questionamento de não afins, eis a guerra.
A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele. Independente dele. A quilômetros de distância. Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar. Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos. Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.
Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes, com irmãos do não vivido?
A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir. Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade! No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do ponto em que parou. Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.
Por prescindir do tempo e ser a ele superior, a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente. Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes. Sensível é a afinidade. É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido. Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.
Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir restituir o clima afetivo de antes, é alguém com quem a afinidade foi temporária. E afinidade real não é temporária. É supratemporal. Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade. A pessoa mudou, transformou-se por outros meios. A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de resultado diverso.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quantos das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.
Arthur da Távola  | Vem! | Mar 5, '11 8:59 AM for everyone |
A vida da gente é uma colcha de retalhos feita à várias mãos.As vezes um conhece só a parte que ajudou a tecer,as vezes outros observam outras partes e assim vamos montando tudo. Aos que tecem comigo minha colcha,aos que carregam em suas colchas os retalhos que eu ofertei,aos que dividem esses dias tão especiais, aos que partilham das minhas descobertas, aos que miram,contemplam e sabem o poder das coisas, minha gratidão em poesia.  Vem!.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos. Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa. Entendamo-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios. Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo, como faria o intelecto divino. Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender se escutam palavras e vêem rostos. Ninguém fala para si mesmo em voz alta. Já que todos somos um, falemos desse outro modo. Como podes dizer à tua mão: "toca", se todas as mãos são uma? Vem, conversemos assim. Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma. Fechemos pois a boca e conversemos através da alma. Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo. Vem, se te interessa, posso mostrar-te.
Texto extraído do livro "Poemas Místicos"
do brilhante poeta sufi Jalal Ud Din Rumi  | Ânima | Mar 1, '11 8:41 AM for everyone |
 Lapidar Minha procura toda trama lapidar o que o coração com toda inspiração achou de nomear gritando: alma Recriar cada momento belo já vivido e ir mais atravessar fronteiras do amanhecer e ao entardecer olhar com calma então Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber casa cheia de coragem, vida tira a mancha que há no meu ser te quero ver te quero ser alma Viajar nessa procura toda de me lapidar neste momento agora de me recriar de me gratificar de busto, alma, eu sei casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz onde se encontra o templo que inventa a cor Animará o amor Onde se esquece a paz Alma, vai além de tudo o que o nosso mundo ousa perceber casa cheia de coragem, vida todo o afeto que há no meu ser te quero ver, te quero ser alma Milton Nascimento

Numa boa!
 | Do amor | Feb 25, '11 6:46 PM for everyone |
Quando tudo começou eu estava dilacerada.Entraram na minha casa que cuidadosamente adornei durante a vida e quebraram meus vidros, queimaram minhas cortinas, arrancaram os quadros das paredes e esmagaram o meu jardim. Eu sol se apagou como em dia da neve mais profunda e tudo escureceu e congelou.Quando você entrou me encontrou no chão, sem respirar, sem viver, vagando no meio de um nada sem fim, sem esperança, sem vida, sem morte,sem nada.Eu não era nada, dentro de mim não havia nada e eu era o espectro de mim mesma. Eu não chorava, eu não sorria, eu fingia respirar e meu coração insistia em tentar minuto após minuto em me dar um pouco de sangue.Ninguem me via.Eu não me via. E os dias se seguiam, um após o outro, todos iguais. Quem arrebentou-me já tinha ido embora,deixando pra trás, um corpo moribundo. E você chegou e simplesmente pediu pra eu deixar o Sol entrar. Você não me deu a mão, não me lavou, não me deu esperança. Você só disse que acreditava que eu ia sair daquele estado , sentou-se ao lado do meu corpo inerte e esperou. Dia após dia você esperou. Manhã após manhã, você esperou. Um dia eu levante a cabeça e vi que você estava lá nem sei quanto tempo.Mas estava lá e nunca deixou de acreditar em mim.Mas quem precisava acreditar era eu e não você.Mesmo assim, você estava lá, esperando o momento que eu acreditaria.Você não desistiu, eu não desisti.Mas eu caí e demorei muito tempo pra aceitar que havia forças para levantar outra vez. Quase me mataram,mas eu não morri. Outra vez.Noite após noite eu bordei meu véu com estrelas e lágrimas e você estava lá do meu lado. Noite após noite eu me desesperava em silêncio com o medo do amanhã e você estava lá.Um dia eu levantei os olhos para o céu e pude ver que você estava lá, assim como o Sol que em recebe todas as manhãs. Eu tive tanto medo, minhas pernas estavam tão fracas. Eu não sabia de mais nada.As feridas internas não paravam de doer. Noite a pós noite eu aplicava remédios, ungüentos, poções, magias e a dor não passava e você estava lá não para me dar a mão,mas para ouvir os meus gritos de dor.E doía tanta, tanto.E noite após noite, cada lágrima vertida se transformava numa estrela bordada no meu véu negro.E a medida que o véu crescia eu em cobria e mergulhava cada vez mais fundo nas noites sem lua. Noite após noite.E eu gritava o grito mais silencioso que ecoava nos ouvidos de ninguém. E você estava lá, ao alcance das mãos não para me salvar, mas para ouvir meu grito abafado de dor e ódio. E eu desci cada vez mais fundo e você não teve medo de eu nunca mais voltar. E eu tive tanto medo, tanto.E eu ia cada vez mais fundo e quando eu pensava que tudo tinha chegado ao fim, vieram em quebraram o pouco nada que sobrou da minha casa , tão bonita, tão adornada , tão vazia. E mais uma vez quebraram meus joelhos e cuspiram no meu coração. E você estava lá, sentindo a minha dor. E o tempo passou e já não existe mais pele para ser queimada em mim, não existe um osso inteiro, não existe mais nada do que era o momento original de tudo. E eu me remendei e fgi por muito tempo para procurar meus ossos. Até que minha ossada foi novamente montada. E agora eu olho para todos esses ossos que um dia constituíram um ser tão crédulo, tão amante, tão amigo e que se tornou apenas ossos sem carne, podres, fétidos e duros. Sempre duros, resistentes a tudo e a todos. E após esse tempo todo de busca, eu consegui acha-los, um por um,noite após noite, estrela após estrela. E numa noite e Lua cheia, enfim, eu lhe contei toda uma longa historia, a história de como eu cheguei até aqui e quais foram os malditos que destruíram a minha casa. E você continua sentado ao meu lado, esperando a próxima ação. Porque você nunca perdeu a esperança, mesmo quando eu só enxergava a escuridão. Mesmo sem saber ao certo tudo o que havia acontecido.A origem da dor, da mágoa, do ódio e do medo. E você me ouviu,palavra após palavra,bordado após bordado.E você não me prometeu nada,mais uma vez.E eu chorei um choro de alívio por me perceber viva, quando queriam que eu estivesse morta.Porque podem me tirar a carne,mas os ossos me são fortes e indestrutíveis.E depois de um céu inteiro bordado eu pude tirar o véu de cima e olhar mais uma vez a lua cheia, como no inicio dos tempos. Ainda não renascida,mas com sangue voltando a pulsar. E agora eu preciso da canção, a canção que vai me moldar mais uma vez , não para voltar a ser quem fui,mas para ser uma nova pessoa, de ossos duros, coração amigo e mente alerta. Então vou para mais uma jornada e você sentado ao meu lado, esperando .  Para o meu chacal que nunca perdeu a fé em mim , nunca deixou de ser parceiro e que nunca amoleceu; mesmo qdo eu falhei nesses 3 itens. Eu te amo  | A volta | Feb 21, '11 9:29 AM for everyone |
Ela voltou, me olhou, me deu um olá e disse q era só chamar.Então pq eu não chamava?Eu a recebi de braços aberto e nós dançamos alegremente como há muito tempo eu não faziamos. Redescobri várias coisas e voltei do pedaço do caminho que havia me desviado.Sempre há tempo.E ela voltou e eu vou cuidar dela com todo carinho e atenção, para nunca mais esquecer da sua importancia na minha vida!Pq dança é para quem tem alma e coração conectados. Ela voltou e eu estou feliz! Foram dias de gritar uma maldição bem grande. Senti uma coisa horrivel, aquela gana por uma justiça que nunca chega de tanto que demora. Eu me vesti de negro, saí gritando como louca pelo deserto e nada me consolava. Pensava: será que as pessoas não enxergam? Será que só eu vejo isso? Quando a justiça será feita? Eu me incomodo e me sinto uma imbecil por ninguem mais perceber o que percebo. Tentei desviar o pensamento mas o nojo e o ódio não me deixavam em paz. No meio das areias,sempre há um oásias para refrescar nossa boca e nos cobrir com a sombra da palmeira. E lá eu ouvi palavras boas sobre mim de duas pessoas especiais, que não se conhecem, uma de cada vez.Adormeci lembrando de uma poema que gosto muito e de um tracho que descia por minhas veias para me mostrar quem eu sou acima de qualquer coisa:nunca se esqueça, a beduína carrega um punhal debaixo do seu véu. [...] Escreve sou árabe trabalho com os meus companheiros de infortúnio numa pedreira tenho oito filhos para eles extraio da rocha a carcaça do pão a roupa e os cadernos E não venho mendigar à tua porta não me curvo no átrio da tua casa Ficarás irritado? [...] Então escreve ao alto da primeira página Eu não odeio os meus semelhantes e não ataco ninguém Mas... se um dia me obrigarem a passar fome comerei a carne do meu espoliador Fica atento... fica atento à minha fome e à minha cólera! E eu pensava que por mais que tentem,nunca roubarão meu coração e minha alma. Por mais que se cubram como eu,por mais que usem as minhas jóias, mesmo nua eu ainda serei eu. Eu passo khol nos olhos, eu olho as estrelas, eu cubro o meu rosto e eu ando no deserto.   Amanheceu. Ela abriu o templo mais uma vez. Havia uma alegria maior naquele dia dentro dela. Limpou-se, vestiu sua túnica branca, lembrou de onde vinha aquele tecido. Irônicamente tudo em sua vida à puxava para o oriente, às vezes nem percebia de imediato de tão corriqueiro o ato. Preparou oferendas refrescantes, estava muito calor. O templo existe, aqui, lá, acolá, dentro dela. Ele está novo, reformulado mais uma vez. Tudo ali tem uma história. dela, do seu companheiro. Executou mais uma vez os gestos simples, as palavras certas, dessa vez com mais precisão e confiança. Acordou com a certeza de tudo, mais uma vez. Fechou os olhos, rezou. Pediu. Agradeceu pela trilha dura, por enxergar o que devia fazer, finalmente. Agradeceu o entendimento, a pureza e como a duras penas ela estava conseguindo vencer a sujeira para entrar no caminho da retidão. Agradeceu os livros que curiosamente caiam das estantes, pela irmã que lhe ajudava nas madrugadas de estudos e debates e pelo carinho que ofertavam uma a outra. Agradeceu pela certeza de tudo e pelos avisos daqueles que já se foram. Pediu pelo que lhe falta e por mais força quando fraquejasse. Ofertou mais uma vez aquilo que tem de melhor. Abriu os olhos e viu tudo brilhar. O corpo soltava faíscas e ela sabia que tinha sido ouvida. Riu ao lembrar de quando não sabia falar as palavras certas , de quando estava sozinha e mesmo assim continuou seus afazeres. A vida só vale se podemos compartilhar e ela compartilha, todos os dias, aqui,ali, acolá. Ela abraça os significado das coisas e sente o abraço do Universo todo ali, com ela. As coisas são assim, repletas de sons e poesia e ela quer a vida assim, bonita, correta e simples como o pano branco de sua roupa.Aprecia o perfume do mundo, gesticula e sai para mais um dia de Sol. Dua Netjer! Nekhtet! Para minha irmã Tanakhtsenu que me ensina muito e me mostra o que é amizade todos os dias. No dia 1 de Janeiro de 2011 me comprometi a participar disso aqui apesar de uma amiga já ter comentando , vi num m blog que adoro, contando que ia começar e resolvi fazer tb,lembrando que esse era um meio item do meu 101 coisas II.Eu quero organizar (ou tentar) os tópicos importantes pra mim na execução desse projeto. Bom, 30 dias já se passaram, então tenho 30 fotos e centenas de idéias na cabeça. Se comprometer com um peojeto envolve várias coisas e uam delas é aprender a coisa central do projeto: tirar fotos inteessantes.Não basta vc ver uma coisa bacana,tem que saber olhar a coisa.Por mais que ela seja bacana, tem que se saber extrair o melhor dela. Se envolver com tudo. A foto é um momento, um segundo, uma luz incidente, uma falta de luz num objeto, um olhar,um gesto.E ele nunca mais se repete. Gestos, objetos...são histórias,são poesias, há que se ouvir bem o que está sendo dito ali. Relaxar é palavra de ordem. Enquadrar foto nem sempre é bonito. Dentro de casa existem coisas que a gente nem sequer imagina que pode estra gritando beleza!Na nossa rua,idem. Acho que o projeto me fez parar pra observar mais, ir mais devagar. Ao final de 30 dias eu sentei e pensei no projeto e percebi o tamanho do carinho que dedico a ele. As vezes pensamos que muitas fotos bonitas que vemos por aí são feitas em maquina profissional e isso não é verdade . O que me fez lembrar de algumas entrevistas que vi/li de fotografos famosos dando dicas pra quem está começando.E me lembro de um falando: "antes de gastar grana,aprenda a olhar a coisas e se for investir o que a gente precisa é de 5 megapixels e um excelente zoom!" Busco sempre sites sobre o assunto e vejo cada foto....que pqp...da vontade de morrer....e qdo vou ver a maquina usada, é alguma maquininha caseira do tipo da minha...o que me anima MUIITO! Penso em gastar uma grana com uma maquina melhor,mas não agora. Quero afinar o olhar,a percepção já que de nada adianta ter uma maquina boa e um olhar"cego"! O proximo objetivo é deseterrar a maquina analogica do papai, essa sim, profissional de 1900 e bolinha.Aí sim!! Pq a analógica tem um efeito que dispensa até Photoshop! É como o ruído do disco de vinil, não tem como copiar! rsrs E acho que é isso que eu queria dividir! A minha descoberta de um mundo invisivel que está ao meu lado o tempo todo! Quem quiser ver meu album lá no site : Iony  Assim...meio Palestina ( Free!! )  Essa Lua eu tirei DE NOVO (dois meses seguidos) a carta da Changing Woman. Só que esse mês eu percebi que não era a companhia dela q eu teria até a proxima lunação.Ela estava ali pra assentar tudo o que eu havia feito durante um tempo.Essa foi a lição e quase não entendi. Eu passei por um momento de jogar coisas/situações/pessoas pra fora, pq estagna, pq já deu o que tinha que dar, pra tirar a poeira de mim. Eu fiz tudo sabendo o que fazia, não foi por um xilique de genio ruim que eu possa ter tido. Foi tudo feito de maneira pensada e tudo foi observado para medir a reação das coisas á minha volta. E tudo correu dentro do esperado, então os planos não foram mudados. Confesso que poucas vezes na vida, meu lado capricorniano lúcido, racional,seco e cruel foi colocado em ação , como um plano estratégico. Mas eu precisa ver as coisas, saber até onde se pode ir e assim foi, sem arrependimentos.Quando as coisas precisam se mostrar, quando algo preciso ser visto, não se pode ter muita piedade. Existe uma felicidade por trás de tudo isso, sutil e que muitas vezes a gente confunde,afinal é um processo doloroso. Muita coisa a gente gosta ,ama até mas, não tem mais serventia.Alias,fazendo um parentese sobre o assunto,essa é a matéria de capa da revista Vida Simples do mes de fevereiro, muito boa por sinal! Não é bom fazer isso,mas é necessario. Assim se fechou um ciclo para se começar outro.E a vida é assim, ciclica, não há como fugir disso! Outra coisa é que esse ano a mudança espiritual vai ser bem mais acentuada e pra isso eu fui orientada a fazer um grande e doloroso processo de mudanças de hábitos. Confesso: TERRÍVEL!! Mas é outra coisa qeu caiu no meu colo para me mostrar que essa mudança tem que ser feita se eu quiser seguir de maneira digna o caminho que escolhi.Eu pedi,eu abracei,eu aceitei (mas sobre essa coisinha especificamente eu vou falar com mais detalhes daqui um tempo). Acredito que os oráculos estão sendo muito bons para mim e que os Deuses me mandaram as pessoas certas para caminhar comigo nessa nova jornada. Pq nunca,nunca,nunca se está só. Eu agradeço, todos os dias,mesmo sentindo dor aquilo que eu abracei. Vida,Prosperidade e saúde. Senebty! Iony PS: mais sobre a Mulher que muda aqui sob a luz da lua cheia, nós dançamos espíritos dançam, nós dançamos unindo as mãos nós dançamos unindo as almas, regozije-se! Karen Beth * traduzido pela minha grega…a Alex "Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio. "
(Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros)  Como é por dentro outra pessoa Quem é que o saberá sonhar? A alma de outrem é outro universo Com que não há comunicação possível, Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição de qualquer semelhança No fundo.
Fernando Pessoa, 1934  Mostra-me a tua face. Mostra-me a tua fronte, o jeito de entortares a cabeça para um lado, o teu sorriso, magnífico como só os sorrisos podem ser. Os olhos graves, belos, grandes, pequenos, semicerrados, alegres, tristes, inquiridores, fogosos, dulcíssimos, como só os olhos sabem falar. Revela-me como és, um breve apontamento do que és, representação, imagem.Dispenso as extensas reportagens, as mil poses carregadas de narcisismo, a sobrecarga do teu privado. Mas não te escondas. Não és quadro, objecto, cartaz, bichinho, tolice. Preciso de olhar o desenho do teu rosto, juntá-lo às palavras que aqui deixas, recriar-te para mim. É feio não dar a cara, ensinou-me a velha ama, revoltada com disfarces. Os olhos são a janela da alma, repetia a velha ama, beijando os meus. Mostra-te pois claramente. Este é o Livro da Face.
MARIANA INVERNO, “Notas Diárias à Sombra dos Tempos"  Minha pessoa não é como um núcleo rígido dentro de mim ou uma pequena estátua permanente e fixa; pelo contrário, ser pessoa implica um processo dinâmico. Em outras palavras, se você me conheceu ontem, por favor, não pense que eu sou a mesma pessoa que você encontra hoje. Experimentei mais da vida, encontrei novos sentimentos naqueles a quem amo, aprendi mais com Deus, sofri, orei e estou diferente por dentro. Por favor, não me atribua "valor médio", fixo e irrevogável, porque estou sempre alerta, aproveitando as oportunidades do dia-a-dia. Aproxime-se de mim, então, com um senso de descoberta, pois é certo que mudei. Mas, mesmo que você reconheça isso, posso estar um pouco temeroso de lhe dizer quem sou." John Powell, "I Afraid to Love?" (Argus Communications, 1967) e "Por que Tenho Medo de Lhe Dizer Quem Sou?" (Editora Crescer 1998)  Eu resovi falar. Ouvi a mesma conversa de sempre, de anos a fio e sabendo o resultado dela , eu resolvi falar. Falei o que havia decidido há tempo e que pensei não ter a coragem de falar.Ee falei de maneira branda, pois o ódio, o ressentimento, a mágoa e a pena, sairam de mim e deixaram o buraco vazio. Vazio não! Vazio nós estamos quando alimentamos mágoas sobre coisas/pessoas que nem sabem de sua existencia. Então eu falei, pausadamente, claramente e objetivamente. Sem entrelinhas. Abri meu coração.Esse coração que há muito tempo anda fechado. Fechado pq anda cansado de gente que fala a tal da verdade mas não paga o preço por ela. Mas isso é outro assunto. Falei pouco e suficiente e vi que desarmei a outra parte. Ninguem espera que de mim saia algo que não seja fúria. As pessoas não me conhecem de fato.E nem faço mais muita questão.Não era minha intenção magoar e sim falar o que penso sobre a situação que nos encontrávamos e pedi respeito pela minha verdade pessoal.e depois de tudo eu senti sossego. Pensei que ia me arrepender, pq eu sempre penso que não devia ter dito, que não devia ter magoado, que deveria ter escondido e essa opressão faz com que as palavras saiam velhas e ferventes.Mas eu vi que a minha sinceridade e delicadeza foi tão plena que não existiu motivo para mágoas.E assim eu vivi plenamente a minha verdade pessoal que é a minha proposta de novo ciclo.
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